Portuguese poem
Não sei, em qual se vê mais rigorosa
by Gregório de Matos (1636–1696)
Não sei, em qual se vê mais rigorosa A força desta nossa despedida, Se em mim, que sinto já perder a vida, Se em vós, a quem contemplo tão chorosa.
Vós com incêndios d'alma piedosa Mostrais a dor em água convertida, Eu com ver-me tão longe da partida, Nem água me deixou dor tão forçosa.
Vós, pelo que entendeis do meu sentido, Obrais, a causa tendo inda presente; Pagando-me antemão, quanto mereço.
Eu logo, que me vir de vós partido, N’alma satisfarei estando ausente Esse amor, que nos olhos vos conheço.