Versos Portuguese Gregório de Matos Na parte da espessura mais sombria

Portuguese poem

Na parte da espessura mais sombria

by (1636–1696)

Listen in the reader

Na parte da espessura mais sombria, Onde uma fonte de um rochedo nasce, Com os olhos na fonte, a mão na face, Sentado o Pastor Sílvio assim dizia.

Ai como me mentiu a fantesia Cuidando nesta estância repousasse! Que muito a sede nunca mitigasse, Se cresce da saudade a hidropisia.

Solte o Zéfiro brando os seus alentos, E excite no meu peito amantes fráguas, Que subam da corrente os movimentos.

Que é irana oficina para as mágoas Ouvir nas folhas combater os ventos, Por entre as pedras murmurar as águas.