Portuguese poem
Nasceste em pranto
by Gregório de Matos (1636–1696)
Nasceste em pranto (débito preciso) Com riso a vida deixas mui sonoro, Por mostrar, se da morte da vida é choro, Com mais razão da vida a morte é riso.
Enfim soube gozar o teu juízo Da vida mais da morte o melhor foro No sentimento, honras, e decoro, Nos agrados, costumes, e no siso.
Ó mil vezes ditoso, que lograste Da vida mais da morte a melhor sorte, E antes que te deixasse, a deixaste.
E por dela triunfar de toda a sorte Do nascimento a véspera apressaste, Por lograr eterna vida a tua morte.