Versos Portuguese Gregório de Matos Nesse precipício, Conde

Portuguese poem

Nesse precipício, Conde

by (1636–1696)

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Nesse precipício, Conde, fostes Ícaro segundo, bem que a Dédalo no mundo vossa fama corresponde: em parte caístes, onde como Ícaro morrestes, mas a Dédalo excedestes nesses labirintos tristes, em fazer no que caístes, e em cair, no que fizestes.

Caiu o Conde, e se diz, que foi por um caso atroz, porém já corre outra voz, que a esta se contradiz: que foram uns frenesis do juízo descortês: mas eu digo desta vez ouvindo do baque o truz, que o juízo ao Conde induz ter caído, no que fez.

Aqui jaz, em que lhe pes, quem tudo fez com má sorte, e só na hora da morte caiu naquilo, que fez.