Versos Portuguese Gregório de Matos No culto, que a terra dava

Portuguese poem

No culto, que a terra dava

by (1636–1696)

Listen in the reader

No culto, que a terra dava, equivocava-se a vista, se celebrava o Batista, se ao Coutinho festejava: um e outro João estava arrojando à sua planta tanto aplauso, e festa tanta: mas viu-se, que ao mesmo dia, em que o Batista caía, o Coutinho se levanta.

Viu-se, que um João Batista na terça-feira caíra, e que outro João subira a imperar esta conquista: mas não se enganou a vista por desacerto, ou desgraça, antes com divina traça se notou, e se advertiu, que se um com graça caiu, outro nos caiu em graça.

Braba ocorrência se achou no martirológio então, o dia era de um João, e outro João lhe levou: toda a cidade assentou por razão, se por carinho ser mais acerto, e alinho preferir entre dous grandes como um Silva a um Fernandes a um Batista um Coutinho.

Mais ocorrências se leram, porque pasmasse a Bahia, dous num dia há cada dia, mas três nunca concorreram: três de um nome então vieram, e qual mais para aplaudido, e assim confuso, e sentido ficou com tão nova traça restaurada a nossa Praça e o Calendário aturdido.

Se de um só João no dia se abalava a cristandade, por três de tal qualidade quem se não abalaria! tudo quanto então se via, se via com grande abalo, um mar de fogo a cavalo, a pé um Etna de flores, e por ver tantos primores o Céu dava tanto estalo.

A ver o grande Alencastro quem não fez do aperto graça: se saiu o sol à praça fazer praça a tanto Astro? o bronze pois, e alabastro por solenizar a glória consentirão, que esta história fique por mais segurança nos arquivos da lembrança nos volumes da memória.