Portuguese poem
No dia em que fazia anos
by Gregório de Matos (1636–1696)
Pois os prados, as aves, as flores ensinam amores, carinhos, e afetos: venham correndo aos anos felizes, que hoje festejo: Porque aplausos de amor, e fortuna celebrem atentos as aves canoras as flores fragrantes e os prados amenos.
Pois os dias, as horas, os anos alegres, e ufanos dilatam as eras; Venham depressa aos anos felizes, que Amor festeja. Porque aplausos de amor, e fortuna celebrem deveras os anos fecundos, os dias alegres, as horas serenas.
Pois o Céu, os Planetas, e Estrelas com Luzes tão belas auspiciam as vidas, venham luzidas aos anos felizes que Amor publica. Porque aplausos de amor, e fortuna celebrem um dia a esfera imóvel, os astros errantes, e as estrelas fixas.
Pois o fogo, água, terra, e os ventos são quatro elementos, que alentam a idade, venham achar-se aos anos felizes que hoje se aplaudem. Porque aplausos de amor, e fortuna celebrem constantes a terra florida, o fogo abrasado, o mar furioso, e as auras suaves.