Portuguese poem
Nos últimos instantes da partida
by Gregório de Matos (1636–1696)
Nos últimos instantes da partida, Em que o rigor o golpe executava, Vi, quando alentos no sentir achava A morte dilatada, ou repetida.
Obrou a execução na despedida, Que ali de vossos olhos me ausentava, E como a vida neles me ficava, Não pude então viver deixando a vida.
Foi de ausentar-me a morte conseqüência, Pois estando sem vós, sem vida estive; Mas direis, que o morrer de alentos priva.
Porém como nas mãos de uma violência, Quem ausente padece, morre, e vive, Foi a vida defunta, a morte viva.