Portuguese poem
O alegre do dia entristecido
by Gregório de Matos (1636–1696)
O alegre do dia entristecido, O silêncio da noite perturbado O resplandor do sol todo eclipsado, E o luzente da lua desmentido!
Rompa todo o criado em um gemido, Que é de ti mundo? onde tens parado? Se tudo neste instante está acabado, Tanto importa o não ser, como haver sido.
Soa a trombeta da maior altura, A que a vivos, e mortos traz o aviso Da desventura de uns, d'outros ventura.
Acabe o mundo, porque é já preciso, Erga-se o morto, deixe a sepultura, Porque é chegado o dia do juízo.