Portuguese poem
Ó divina Onipotência!
by Gregório de Matos (1636–1696)
Já requintada a fineza Nesse Pão sacramentado temos, Senhor, ponderado vossa inaudita grandeza: mas o que apura a pureza da vossa magnificência é, quererdes, que uma ausência não padeça, quem deixais, pois que partindo ficais, Ó divina Onipotência.
Permiti por vossa cruz, por vossa morte, e paixão, que entrem no meu coração os raios da vossa luz: clementíssimo Jesus sol de imensa claridade, sem vós a mesma verdade, com que vos amo, periga; guiai-me, porque vos siga, Ó divina Majestade.
Na verdade esclarecida do vosso trono celeste toda a potência terrestre de comprender-vos duvida: porém na forma rendida de um cordeiro a Majestade aos olhos da humanidade melhor a potência informa, sendo cordeiro na forma, Que sendo Deus na verdade.
Cá neste trono de neve, onde humanado vos vejo, melhor aspira o desejo, melhor a vista se atreve: aqui sabe, o que vos deve (vencendo a maior ciência) amor, cuja alta potência adverte nesse distrito, que sendo Deus infinito, Sois também Pão na aparência.