Versos Portuguese João de Deus A Sulamense

Portuguese poem

A Sulamense

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Estava a dormir... que importa? Velava o meu coração. Oiço o meu amado á porta:

--Ah formosa sem senão, Minha pomba, minha amada! Trago a cabeça molhada, E os anneis do meu cabello Todos escorrendo orvalho, Estou mais frio que um gelo.

--Dá-me isto agora um trabalho... Despi-me, lavei os pés, Estou na cama deitada, E é uma pena, bem vês, Vestir-me agora outra vez, Andar inda levantada.

Vai elle empurra o postigo, E eu assusto-me de modo Que, na verdade vos digo, Tremia-me o corpo todo.

Salto da cama exhalando Um cheiro delicioso: Eu tinha-me estado untando Com um oleo precioso E inda as mãos me iam pingando.

Abro a porta, eis senão quando Elle foge de repente...

Eu só de lhe ouvir a falla Fui ás nuvens de contente. E em paga de tudo, abala; Bradei-lhe, não me acudiu, Vou por essas ruas fóra Á busca d'elle, até'gora: Parece que o chão se abriu...

Encontro a ronda, espancou-me; Um dos da guarda á entrada Da cidade, esse, roubou-me A capa onde ia embrulhada.

Peço-vos isto por bem, Moças de Jerusalem! Contai tudo ao meu amado, Que elle é por amor de quem Estou n'este triste estado.