Portuguese poem
Joven Captiva
by João de Deus
Respeita a foice a espiga verde ainda; Sem medo da vindima, o estio inteiro, Bebe o pampano as lagrimas da aurora: E eu verde como a espiga, tenra e linda Como o pampano, hei-de morrer? não quero: Quero, mas não por ora!
Talvez que a outrem, morte, grata fosses. Espero! Embora em lagrimas me lave, Varre-me o norte a mim a face? inclino-a. Se ha dias tristes, ai! ha-os tão dôces... Sem amargo, que mel, por mais suave Que mar, em paz continua?
Benefica illusão meu seio habita. Sepulte-me este carcere inhumano; A aza nivea da fé não se agrilhôa. Escapa ao laço da prisão maldita, Mais viva e alegre, a esse aereo oceano, A alvéloa canta e vôa.
Hei-de morrer? porque? se não diviso Em minha alma um remorso; durma ou vele, Se eu velo e durmo em paz, na paz do justo! Se em cada rosto a luz me abre um sorriso; Aqui mesmo, onde a mágoa o riso expelle; E a luz assoma a custo!
O fim do meu destino é lá tão longe! Quantos passei dos alemos que adornam Esta bella viagem? Assentada Ao banquete da vida apenas hoje, A taça ainda cheia as mãos entornam, Dos labios illibada.
Estou na primavera, oh segadores! E as mais quadras do anno havia agora De não acompanhar o sol? havia? Debruçada em meu pé, gloria das flôres, Eu não vi mais do que raiar a aurora; Quero acabar meu dia.
Espera um pouco, oh morte! nada perdes. Antes consola os que o remorso, o medo, O desalento pallido devora! Guarda-me ainda o campo grutas verdes! As musas, cantos! e o amor... Segredo! Não morro, não, por ora!
Assim, encarcerada, o rosto lindo E a vista alçando a regiões ignotas, Minha musa entoou na fé mais viva: E eu, as languidas mágoas sacudindo, Moldei em dôce verso as dôces notas D'essa joven captiva!
ANDRÉ-CHÉNIER.
Coimbra.
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Mulher! quando nos braços Te escuto uma canção, Não vês em meus abraços Profunda commoção? É que o teu canto á mente Me traz vida melhor... Ah! Cantai continuamente, Cantai, oh meu amor!
Quando sorris, assume Teu rosto uma expressão, Que o mais feroz ciume Se desvanece então. Sorriso tal desmente Um coração traidor... Ah! Sorri continuamente, Sorri, oh meu amor!
Quando tranquilla e pura, Te estou a vêr dormir, Que vozes se afigura Teu halito exprimir? Contemplo então contente Teu corpo encantador... Ah! Dormi continuamente, Dormi, oh meu amor!
Letra de V. HUGO. Musica de GOUNOD.
Lisboa.
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