Versos Portuguese João de Deus Luz Da Fé

Portuguese poem

Luz Da Fé

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Tu, sol! já não me alegras Como alegravas, não: Vós, sim, ó nuvens negras, Relampago e trovão!

Quando o trovão me aterra, Recordo-me de Deus; Abalo cá da terra E vou por esses céos:

E lá n'essas alturas, Por onde só a fé, Em regiões tão puras, Nos deixa tomar pé;

Voar, pairar nos ares Como uma aguia cá, De lá só vejo os mares, E é porque a luz lhes dá.

O mais como se apanha E empolga com a mão, Seja a maior montanha, Seja a maior nação;

O mais fica no fundo D'esse infinito mar; O mais pertence ao mundo, É escusado olhar.

Deus deixa ás creaturas Cá baixo a sua cruz, E fecha as almas puras N'um circulo de luz.

As chagas, as miserias Cá d'este lamaçal, Nas regiões ethereas, Lá não se avista tal.

É só a luz, que foge, Mais uma irmã que tem --A alma, que até hoje Não a prendeu ninguem;

São essas duas luzes (Qual d'ellas tão subtil Que ás forcas e ás cruzes Do despota mais vil,

Se escapam de tal modo Que é de o fazer raivar) Cá d'este mundo todo O que se vê brilhar!

Porque uma e outra aspira Continuamente ao céo, A alma que suspira, E a luz que Deus nos deu.

Porque uma e outra é pura, Perpetua e immortal; E a sua formosura, Não ha nenhuma igual.

Quem é, ó luz formosa, Ó minha bella irmã! Quem é que faz a rosa Abrir pela manhã?...

Eu amo-te e (as trevas Não teem esplendor!) Tu só é que me levas O tempo e o amor.

Mas eu estimo o raio E gósto do trovão, Por vêr que quando cáio É que me elevo então.

Por vêr que em tendo medo Mais se me aviva a fé; E a fé, não ha rochedo Firme como ella é.

Por cima da desgraça Ou seja do que fôr, Ella, não olha, passa De fito no Senhor!

A essa luz divina, Ó luz! é que tu és Tão pura e crystallina Como o Senhor te fez.

Por isso a noite escura, Ah! se eu a preferi Á tua luz tão pura, É por amor de ti!

Messines.

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