Versos Portuguese João de Deus Margarida

Portuguese poem

Margarida

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Oh que formosos dias, Margarida! Esses da tua vida; E que nublados Meus dias desgraçados!

Nasci tambem assim risonho e meigo, Mas hoje apenas chego O calix da ventura Á bocca ancioso, Torna-se a agua impura E o liquido que bebo Venenoso, Sim, venenoso o liquido que bebo.

Nem eu concebo Como Deus me creasse Para tormento eterno; Elle que tão affavel, meigo e terno Te beija a ti a face E te embala no collo, Margarida! A mim dar-me esta vida...

Mas vejo á sombra d'altos edificios Miudissimas flôres De tão subtís e delicadas côres Que se o sol lhes chegasse Talvez que nem resquicios Lhes ficasse. Com uma d'essas azas, estendida, Me tapavas tu todo, E d'esse modo, Com esse escudo, Eu ria-me de tudo E levava esta vida alegremente. Tenho essa fé.

Vejo tambem a flôr que nasce ao pé D'agua corrente, Ir tão suavemente Levada pela agua! Talvez até sem magua De deixar sua mãi. D'esse modo tambem, Amparando-me tu a mim nos braços, Eu seguia-te os passos, Fosse por onde fosse; E d'essa sorte Até a morte Me seria dôce.

Messines.

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