Portuguese poem
N'Um Convento
by João de Deus
Como a agua em funda gruta Gotta a gotta filtra e cái, Sem saber quem isso escuta O que lá por dentro vai:
Como ao longe incerta e baça N'uma igreja alveja a luz, Que da lampada esvoaça E a vidraça reproduz:
Mal te vi, moira encantada! Mas á luz dos olhos teus Murcha a lampada sagrada D'um altar do nosso Deus.
Mal te ouvi, mas as suaves Melodias, que te ouvi, São mais dôces que as das aves Da aldêa onde nasci!
Quem teve, bella captiva, Coração de te deixar Aqui enterrada viva, Sem amor, sem luz, sem ar!
Era cego e surdo, juro, O miseravel algoz Que não viu olhar tão puro, Não ouviu tão pura voz!
Eu não tendo a faculdade D'arrazar esta prisão, Sacrifico a liberdade Por tão dôce escravidão!...
Coimbra.
* * * * *