Portuguese poem
Na Folha D'Um Romance
by João de Deus
Moldada ao bem nasci, mas debil planta Verguei de vicio ao sopro pestilente; D'entre o vicio porém minha alma ardente Castos hymnos a Deus saudosa canta.
Ah! se um mentido affecto amor levanta N'um pobre coração inexperiente, D'elles a culpa é toda! uma innocente Não consulta a razão, razões supplanta.
Cahi, verguei, Senhor! já pervertida Graças, beijos vendi, vendi belleza, Triste commercio de mulher perdida.
Oh! mas, Deus do amor! foi só fraqueza: De impias mãos me arrancai, tirai-me a vida, Alcance-me o perdão mortal tristeza!
Messines.
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Lagrima celeste, Perola do mar, O que me fizeste Para me encantar!
Ah! se tu não fosses Lagrima do céo, Lagrimas tão dôces Não chorára eu.
Se nunca te visse Bonina do val, Talvez não sentisse Nunca amor igual.
Pomba desmandada, Que é dos filhos teus, Luz da madrugada, Luz dos olhos meus!
Meu suspiro eterno, Meu eterno amor, D'um olhar mais terno Que o abrir da flôr,
Quando o nectar chora, Que se lhe introduz, Ao romper da aurora, Ao raiar da luz,
Por entre a folhagem Onde mal se vê, Como a terna imagem Da que eu adorei.
Que esta voz te enleve, Que este adeus lá sôe, Que o Senhor t'o leve, Que Deus te abençôe.
Que o Senhor te diga Se te adoro ou não, Minha dôce amiga Do meu coração!
Se de ti me esqueço, Se já me esqueci, Ou se mais lhe peço, Do que vêr-te a ti;
A ti que amo tanto Como a flôr a luz, Como a ave o canto, E o Cordeiro a cruz,
E a campa o cypreste, E a rola o seu par, Lagrima celeste! Perola do mar!
Coimbra.
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