Portuguese poem
No Leito Nupcial
by João de Deus
Dorme, estatua de neve, Vergontea de marfim! Tocar que impio se atreve No que é sagrado assim?
Dois são: o mais, mysterio Vedado á terra. Deus Talvez do solio ethereo Nem baixe os olhos seus.
Respeita-os, tapa-os, como Japhet e Sem, o pai... Pende, sagrado pomo! A vista ergue-se e cai.
Ergue-se e cai, conforme A lei, que o manda assim. Ergue-se e... Dorme, dorme, Vergontea de marfim!
Mas dize: o espelho a imagem Te estampa mal te vê; Beija-te o seio a aragem, Doira-te o sol; porquê?
Não segue acaso a sombra Teu corpo sempre, flôr! E pois, porque te assombra Meu insensato amor?
Ás vezes passas tremula Como sagrada luz; E os olhos dizem: vemol-a Como no alto a cruz.
Perdoa se isto exprime Maldade aos olhos teus; Perdoa-me se é crime... Amo tambem a Deus.
E á tarde quando o albergue, No solitario val, Incenso queima e se ergue D'Abel o fumo igual;
Da pomba solta o vôo, Baixa-me um olhar teu E dize-me: perdôo; Sim, tudo aspira ao céo!
Coimbra.
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