Portuguese poem
Mãi E Filho
by João de Deus
Primicias do meu amor! Meu filhinho! do meu seio Tenro fructo que á luz veio Como á luz da aurora a flôr!
Na tua face, innocente, De teu pai a face beijo, E em teus olhos, filho, vejo Como Deus é providente.
Via em lamina doirada O meu rosto todo o dia E a minha alma não se havia De vêr nunca retratada?
Quando o pai me unia á face, E em seus braços me apertava, Pomba, ou anjo nos faltava Que ambos juntos abraçasse!
Felizmente, Deus que o centro Vê da terra e vê do abysmo, Que bem sabe no que eu scismo, Na minha alma um altar viu dentro:
Mas com lampada sem brilho, Sem o deus a que era feito... Bafeja-me um dia o peito, E eis feito o meu gosto, filho!
Como em lagrimas se espalma Dôr intima e se esvaece D'alma o resto quem podesse Vasar n'um beijo em tua alma!
Mas em ti minha alma habita! Mas teu riso a vida furta... Mas (que importa!) morte curta! Se um teu beijo resuscita!
Coimbra.
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Toca a capello, vou vêl-o E vejo de toda a côr, Não doutores de capello, Mas capellos de doutor.
Coimbra.
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Amas, pobre animal! e tens tu pena?... Sim, póde na tua alma entrar piedade? Se póde entrar, eu sei! Negar quem ha-de Amor ao tigre, coração á hyena! Tudo no mundo sente: o odio é premio Dos condemnados só, que esconde o inferno. Tudo no mundo sente: a mão do Eterno A tudo deu irmão, deu par, deu gemeo. A mim deu-me esta gata, a mim deu-me isto... Esta fera, que as unhas encolhendo Pelos hombros me trepa e vem, correndo, Beijar-me... Só não vivo! amado existo!
Evora.
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