Portuguese poem
Saudade
by João de Deus
Em acordando agora, O meu contentamento É vêr em cada aurora Um dia de tormento!
Podesse eu dar-te a prova Dos dias que me esperam, Lançando-me na cova Onde elles te pozeram!
Lançassem-me algum dia Ao pé, que de repente O coração te havia De ainda pular quente...
A face cobrar logo A fórma e côr perdida, E a bocca toda fogo Ah! inspirar-me a vida!
Supplíca, ó anjo! implora Ao Pai universal Que me deixe ir embora D'este horroroso val
De lagrimas amargas, E turvas de tal modo, Como umas nuvens largas Que tapam o céo todo!