Portuguese poem
Segundo Psalmo De David
by João de Deus
Porque anda o mundo todo enfurecido, Se esforços contra Deus são todos vãos? Os grandes, mais os reis, deram as mãos Contra o Senhor, contra o seu Ungido,
--Estas correntes, é despedaçal-as, Este jugo atirar com elle fóra! E lá cima no céo, o que lá mora Não faz mais que sorrir-se de taes fallas.
Mas em lhe dando a ira, aonde então Se hão-de metter, com medo, os desgraçados! Coroou-me rei no alto de Sião, Cumpre-me publicar os seus mandados.
«Tu és meu filho; disse-me o Senhor: Gerei-te hoje; pedir com confiança! Verás o mundo todo ao teu dispôr, Terras e povos, como propria herança.
«Vara de ferro para os ir guiando, E fazel-os guardar-te obediencia; E elles de barro mal cozido e brando Que os partas em te oppondo resistencia.»
Agora pois vós outros, reis, juizes, Reparai no que eu digo, e vêde lá; Servi a Deus, e dai-vos por felizes Cumprindo á risca as ordens que elle dá.
Tomai os meus conselhos; ou, senão, Tende já como certa a perdição. Que em se elle irando, é como um raio; aquelle Que o despreza e não crê, infeliz d'elle!
Messines.
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