Portuguese poem
A águia
by Luís Delfino (1834–1910)
A águia negra, num vôo, de repente Fura o céu, desprendida da montanha, E parece levar em feixe ardente Luz, que às garras metálicas apanha.
Afronta o sol, provoca-o frente a frente, Deixa as nuvens atrás, remonta em sanha... E volta irada, triste, e lentamente, Por ver tão longe a luminosa aranha.
Liso, e em fogo o areal, como um espelho Amplo, se estende ao seu olhar vermelho... Vermelho, como a espuma dos vulcões:
Desce; e por desenfado ao bico enorme, Enquanto um grupo de gazelas dorme, Folga arrancando os olhos aos leões.