Versos Portuguese Luís Delfino Ainda!

Portuguese poem

Ainda!

by (1834–1910)

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Sempre o mesmo clarão desse eterno problema! E a luz, com tanto orgulho impõe-se, enchendo a esfera! E uma dúvida amarga a fluir desse estema! E longo o abismo azul, insondável cratera!...

O diálogo do dia e da noite lacera! Não há sol que não caia, estrela que não trema: E a página, onde acaba o universal poema, Não tem esta palavra em letras de oiro: — Espera.

Nessa abóbada azul de estranhas cousas cheia, Delas só o prefácio está lançado e escrito: E a sombra do porvir larga, profunda, enleia!...

Que mundo haverá entre dois grãos de areia? O que haverá por todo o incógnito infinito? Que novos céus um Deus por outros céus semeia?...