Portuguese poem
Alegre depois de morta
by Luís Delfino (1834–1910)
Um dia ouvi-lhe a voz chorar... Não tome O caso alguém por uma vã quimera: Em cada som a lágrima sincera, E em cada frase um pranto... Isso espantou-me.
Ela até ali não fora assim... não era... E há dor que esta mulher altiva dome? Mostrá-la a dedo aos séculos quisera, Mas por piedade guardarei seu nome.
Que houve então?... Menos triste agora a vejo, Vestes de virgem, quasi a rir-se ainda: Tem parco, mas tristíssimo cortejo.
Na face, que assim mesmo em morta é linda, Leva fundo os sinais de um beijo... o beijo Largo da boca azul da noite infinda...