Versos Portuguese Luís Delfino Aos vermes

Portuguese poem

Aos vermes

by (1834–1910)

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Tendes também espaço no horizonte, Vermes, que o eterno sol redoira e anima; Dou-vos asas, subi: à minha fronte Que sombra escassa e vã lançais por cima!...

Eu ato, quando quero, o vale ao monte, O Olimpo ao Céu, e o deus que a musa intima: E estrela a estrela amarro, e lanço a ponte, Em que anda o grupo harmônico da rima.

É um coche de pérola o soneto: E quando dentro dele os mundos meto, A estrofe ala-se, e canta, e canta, e o tira.

No caminho saúdam-no as Quimeras: E ao vê-lo, a um tempo, calam-se as Esferas, Aos seios de oiro atravessando a lira.