Versos Portuguese Luís Delfino As duas irmãs

Portuguese poem

As duas irmãs

by (1834–1910)

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Estas duas irmãs são velhas parasitas Gafas, trepando o tempo, em roscas variegadas, Que nos ficaram já das gerações passadas, Sobras das virgens que no tempo eram bonitas.

Não resta delas flor: mulheres esquisitas, Com raivas imbecis, lutam sempre arrufadas Pela escolha da cor das sedas e das fitas, De uns belos noivos, que inda hão de vir, embaladas.

É cada qual, que o acaso em chão sáfaro lança, Sem ter jamais provado a fundo o gosto à vida, Uma pobre, uma tonta e iracunda criança;

De uma conspiração delas só conhecida, Contra um crime geral tramando ideal vingança Rosnam ambas ao umbral da próxima jazida.