Portuguese poem
As torrentes
by Luís Delfino (1834–1910)
Ao Dr. Joaquim de Pausa Sousa
Penedias, Briaréus a grandes traços Feitos, e a golpes de cinzel gigante Pelo escultor, que deixa nos espaços Os pregos de oiro quente e chamejante
Das alpercatas, com que vai triunfante Calcando, à noite, o azul a grandes passos, Sem um sinal de esforço no semblante, Levando os sóis debaixo dos seus braços...
De vossas rudes órbitas vazias, Sob os sulcos de alvar e bronca testa, Quem vos arranca as lágrimas sombrias?...
Quem vossa fronte enruga, escalva, cresta? — Eu, disse o sol, eu mordo as penedias; — Eu as faço chorar, disse a floresta.