Portuguese poem
Bianca
by Luís Delfino (1834–1910)
São dez: vai alto o sol: a sombra é quente; Dobra em pálio a mangueira a copa imensa; — Senta-te um pouco; estás cansada: — pensa. — Em quê? — Bem sabes no que pensa a gente.
Gostas de ouvir os trilos da corrente? Um fio de água é bom na mata densa: O ar... Não fujas... — Olha: é voz, é crença, Que o bosque, o cheiro... este acre cheiro ardente...
(Jamais hauri-lo só contigo pude!...) Quem sabe, diz que tem uma virtude, Que é como um vinho azul, bebe-se bem.
— Por que taça? — Ora! a taça é boca e boca... Mas isto agora assim de chofre, louca?... Ó Bianca! Bianca! que não venha alguém...