Portuguese poem
Caim
by Luís Delfino (1834–1910)
A lágrima protesta, o sangue em coalhos grita... Não... não irás assim em triunfal parada: Passarás entre nós como um ladrão de estrada, Será teu Panteão ridícula guarita.
A traição, toda em luz de auréola bendita, Chorará de vergonha ao ver-te, horrorizada: E a baixeza, e a perfídia, e a infâmia interrogada Contra ti dirá só um nome: — Israelita...
Pensas que hás de mentir à história, miserando? Quem ainda a enganou? como a enganou? e quando? Crês também iludir a morte, e não ter fim?
O silêncio tem voz, milhões de olhos a treva... E a teu pai ser Adão, e a tua mãe ser Eva, O teu nome, assassino, o teu nome é Caim...