Portuguese poem
Como um espírito
by Luís Delfino (1834–1910)
Batem?... Quem bate de mansinho à porta? É talvez um velhíssimo tormento! Por qualquer fisga pode entrar o vento, E ouço que ele lá fora o espaço corta.
E é de leão ferido o seu lamento!... Mas... a mim seu gemido, a mim que importa? Batem contudo, e perto do aposento: Abro o meu quarto, e ela me surge... a morta!...
Como é formosa em seu falar ainda! Palpo-a: como está fria!... a envolvo: indago, Digo: — Deita-te aqui; — sê tu bem vinda. —
É ela isto só!... um ser aéreo e vago! Quero aquecer-lhe o corpo, e a visão linda Foge mais uma vez, enquanto a afago...