Portuguese poem
Conúbio
by Luís Delfino (1834–1910)
Na maciez da pele escura da pantera, Que Mirila escorchou no ermo verde da mata, Como quem nada teme, e Pã nem mesmo espera, Num mole gesto nu, o corpo ela desata.
Permesso aí perto flui: — anda a enrolar-se a hera Ao acanto, à rocha: um deus de mármore em cantata Longa, eterna, águia entorna, e aljofra em torno a esfera; Franja-lhe o azul do céu toda essa ondeante prata.
Pela aberta, a profunda abóbada flameja: E, como boca arfando uma outra boca beija, Das folhas, que abre Eos, a harpa as mãos lhe murmura.
Stratocles chega: — a deusa ou dorme, ou finge embora... Ele é o sol, que surge atrás daquela aurora, E em si funde dos dois a luz em luz mais pura...