Versos Portuguese Luís Delfino Cromwell

Portuguese poem

Cromwell

by (1834–1910)

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Vejo-o às vezes passar, como em sinistro drama, Como a sombra dos reis que Macbeth evoca, Esse vulto de herói, vermelho, como a chama, Mole, como o oceano, e duro, como a roca...

Sobe agora, e a cabeça estrelada o céu toca, Agora desce, e imerge em vis sapais de lama; E onde a razão a luz de auréolas derrama, O delírio o gramão dos histriões coloca.

Soldado enorme e audaz, pai cobarde e sublime; Haurindo a sorvo lento o horror do próprio crime; Mesclando ao fanatismo a força e a reflexão...

Se a Cromwell castigara o poeta florentino, Em que ciclo do Inferno o seu poder divino Atirara este esboço... entre o colosso e o anão?...