Portuguese poem
Crucificação de Prometeu
by Luís Delfino (1834–1910)
Cratos brada: — O Destino, Hefáistos, odeia, Não perdoa aos heróis; por mim eu nada faço: Põe-no de alto, ergue-o em cruz; atravessa-lhe um braço, Prende o braço ao rochedo, o rochedo à cadeia;
Solda os elos ao torso; enrola, aperta, enleia... Prende o outro braço; a coxa, — a outra; assim: cerra o laço; No peito um cravo: bate: — esmigalha-lhe a idéia No crânio, — o fogo, que ele andou roubando ao espaço,
E aos efêmeros deu, o lume assim roubado: Jove quer Prometeu ao monte agrilhoado; Prometeu paga a Jove a rebelião sublime.
Sob as garras do abutre a espicaçar-lhe a entranha, Não há um deus que tente arrancá-lo à montanha?!... Homem, o Prometeu és tu, e é teu... seu crime...