Portuguese poem
Dalila
by Luís Delfino (1834–1910)
És como o mar, és como o céu, és tudo Que se parece com o abismo, e o finge: És formidável como a antiga esfinge; És obra para o sonho, e para o estudo.
Às vezes cravo em ti olhar tão rudo Como um machado, que mordendo ringe: À lua dos astros, e o luar que o cinge, Teu rosto é belo, ó deusa! — E não me iludo.
Preferes os Sansões, que amam chorando, E ajoelham quando o teu olhar cintila: Dos cílios, tens a grande sombra, orlando...
Mas... também tens, no fundo da pupila, Uns raios fulvos, trêmulos, pingando Sangue, que coalha em tuas mãos, Dalila!...