Portuguese poem
Deus
by Luís Delfino (1834–1910)
Of Heaven, and from eternal splendours flung For his revolt... Milton — Paradise Lost
Deus existe? — ou é Deus somente um nome vão?... E bato às portas de oiro e de opala da aurora, Donde o sol — velho leão — noite e estrelas devora; E às estrelas da noite em louco turbilhão...
Ao mar, ao vento, ao raio, ao tempo, ao abismo em fora, Ao argueiro, e à montanha, às lavas, e ao vulcão, Ao passado, ao porvir, ao berço, à cova.. Embora!... Cala-se a natureza ou me responde: — Não.
Subo à minha alma então: chamo-a, interrogo-a... Nada... E ela fica a oscilar, no abismo pendurada, Vendo o espaço afundar-se em outro espaço sem fim...
Só entre o torvelim dos caos em labirinto, Como com seu bordão na areia um cego, — o instinto Sobre a poeira dos sóis grava um trêmulo — Sim.