Portuguese poem
Ausência prolongada
by Luís Delfino (1834–1910)
Na morte de Arthur de Barros
Como não vem? Por quê? — Já tarda tanto!... Olhem que é ele, vem subindo agora: Não é? não foi? — Mas que fatal demora! Enfim isto me faz encher de espanto!...
Stá aí na rua, ou volta aquele canto... Disse: até logo, quando foi-se embora: E ele chegava, como chega a aurora, Trazendo luz nas dobras do seu manto.
Não vem? Mas deve vir. — Era à noitinha, Que, pela escada acima, a rir, me vinha Falar de Comte, ou conversar de Homero...
Cortar-lhe a vida? Quem tal vida corta? Vão vê-lo já; vai já bater-me á porta? Ele vem sempre e como sempre o espero...