Portuguese poem
As duas irmãs
by Luís Delfino (1834–1910)
(Depois de uma leitura)
Poisou na vida, como poisaria Pássaro a um galho preso a tronco inciso, Ou como pomba mal segura a um friso, Que o vento as penas brancas arrepia.
Sempre estava a tossir, e em febre ardia: Separá-la da irmã fez-se preciso; Porém esta, iludindo os pais, um dia Foi pôr-lhe um beijo no lugar do riso.
Acomodando com carícia e jeito Na cama a doente, que adormecera, exorta, Nos tenros braços seus chegando-a ao peito.
E quando abriram de manhã a porta, E a alcova entrando, foram vê-la ao leito, Uma dormia e outra... estava morta...