Portuguese poem
Aos Venâncios
by Luís Delfino (1834–1910)
Perguntaram: — Quem é? — quando ia percorrendo A descuido e sem fim qualquer sítio agradável; E respondeu um pobre eunuco detestável: — Um monstro. — E ouvi-o, sem parar, não me detendo.
Mirou-se na minh´alma o réptil, se revendo No mais puro cristal; pareceu-lhe provável Ser o próprio cristal o verme, o miserável, O caluniador infame, a serpe se estorcendo.
E eu passava levando em mim o firmamento, O ideal do bem, o azul do dever, a harmonia Dos Édens a florir, que acaricia um vento
Vindo da exalação dos deuses: que eu podia, Dentro em nimbo estrelar, na paz do meu contento, Senão deixá-lo roer sua imunda alegria?...