Versos Portuguese Luís Delfino Ao deixar de cantar

Portuguese poem

Ao deixar de cantar

by (1834–1910)

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Para que o ouvisse toda eternidade, Começara a lidar segunda-feira Até domingo, em frente a ti, na leira, Cantando tua loira mocidade,

Sem te pedir um beijo só: não há de, Dona de tudo quanto é bom e cheira, Alguém pedir-te cousa que não queira Qualquer deus para si, mesmo a piedade?

Mas logo que emudeça, então, querida, Abrirá, como um sol, uma ferida Em ti, tardo sinal do teu afeto:

E hei de ouvir teu lamento, como o grito Que solta o oceano a dar contra o granito, Com que o monte lhe rasga o flanco inquieto...