Portuguese poem
O José da Sumaca
by Luís Delfino (1834–1910)
O José da Sumaca era um preto, um crioulo, Que, como nós, nascera em Santa Catarina, Sofreu a infância, haurindo-a golo a golo: Talhara um deus sua alma em rocha cristalina.
Como igrejinha azul em moital de colina Pintou de céu seu barco, e em águas verdes foi pô-lo; Daí essa criação graciosa e feminina Foi-lhe vida, aflição, família, amor, consolo.
Furioso um dia o sul soprou de tal maneira Que espetou-se o barquinho às pontas do rochedo; Soube-se, e tudo veio à praia de carreira.
O dia todo, a noite até de manhã cedo, Contra as ondas lutou-se; e assim que ele as vencera, Abriu um grande vôo branco ao vento tredo.