Portuguese poem
O instinto das cousas
by Luís Delfino (1834–1910)
Que susto!... Um grito agudo, e hirta, deforme Precipita-se ao leito, inda fremente Geme, convulsa, esfria; e algente... algente Crê-se que acaba num delíquio enorme.
Se entra quem passa, e pede a alguém que informe, Que tem ela, o que foi tão de repente? É irritável? caprichosa? mente? — Sim — Então não stá morta; ela então dorme.
Céus e sóis lhe caíram da pupila; Jazem as mãos ao longo em tronco extinto; Como é mais bela, vendo-a assim tranquila!
Se ela se fosse, encantador instinto! Com ela tudo quanto aqui cintila... A alma de cada cousa iria... Eu sinto.