Portuguese poem
O fim
by Luís Delfino (1834–1910)
Endechas de calhandra à luz da aurora, Feixes de oiro a tinir por sombra atados, Que iam rolando por vergéis em fora:
Raios de sóis de amor na chã deixados, Mortos, e ainda quentes muito embora; Choros de riso aos lábios pendurados;
Existência, que em horas foi diluída; Taça, em que resta o aroma, mas vazia: Cadáveres de instantes da alegria, De rosas negras, sem olor, cingida...
O que recorda a festa da partida, Treno surdo, que chega ao fim do dia Sem mais alva, e mais outra cotovia... Sabeis... que é isto, ó náufragos da vida?...