Portuguese poem
O enterro
by Luís Delfino (1834–1910)
O caixão era lindo e pequenino, Forrado de cetim branco por fora: Sobre cetim azul dormia a aurora Dentro na forma esbelta de um menino.
Como festivo altar, que se decora, Tinha o berço galões de oiro o mais fino: Que sono fundo o pobre ser franzino Ia nele a dormir, dormindo agora.
Quatro meninas lívidas de susto, Segurando as argolas amarelas, Vão-no levando a passo lento, e a custo.
Sob o véu branco e as rosas das capelas, Acham que é tudo aquilo iníquo e injusto, Podendo ir, depois dele, alguma delas.