Portuguese poem
Coitado! que em hum tempo chóro e rio
Coitado! que em hum tempo chóro e rio; Espero e temo, quero e aborreço; Juntamente me allegro e me entristeço; Confio de huma cousa e desconfio.
Vôo sem azas; estou cego e guio; Alcanço menos no que mais mereço; Entaõ fallo melhor, quando emmudeço; Sem ter contradiçaõ sempre porfio.
Possivel se me faz todo o impossivel; Intento com mudar-me estar-me quedo; Usar de liberdade, e ser captivo;
Queria visto ser, ser invisivel; Ver-me desenredado, amando o enredo: Taes os extremos são com que hoje vivo!