Portuguese poem
Em prisões baixas fui hum tempo atado
Em prisões baixas fui hum tempo atado; Vergonhoso castigo de meus erros: Inda agora arrojando levo os ferros, Que a morte, a meu pezar, tẽe ja quebrado.
Sacrifiquei a vida a meu cuidado, Que Amor não quer cordeiros nem bezerros; Vi mágoas, vi miserias, vi desterros: Parece-me que estava assi ordenado.
Contentei-me com pouco, conhecendo Que era o contentamento vergonhoso, Só por ver que cousa era viver ledo.
Mas minha Estrella, que eu ja agora entendo, A Morte cega, e o Caso duvidoso Me fizerão de gostos haver medo.