Portuguese poem
Em quanto quiz fortuna que tivesse
Em quanto quiz fortuna que tivesse Esperança de algum contentamento, O gosto de hum suave pensamento Me fez que seus effeitos escrevesse.
Porém temendo Amor que aviso désse Minha escriptura a algum juizo isento, Escureceo-me o engenho co'o tormento, Para que seus enganos não dissesse.
Ó vós, que Amor obriga a ser sujeitos A diversas vontades! quando lerdes N'hum breve livro casos tão diversos;
(Verdades puras são, e não defeitos) Entendei que segundo o amor tiverdes, Tereis o entendimento de meus versos.