Portuguese poem
Passo por meus trabalhos tão isento
Passo por meus trabalhos tão isento De sentimento grande nem pequeno, Que só por a vontade com que peno Me fica Amor devendo mais tormento.
Mas vai-me Amor matando tanto a tento, Temperando a triaga co'o veneno, Que do penar a ordem desordeno, Porque não mo consente o soffrimento.
Porém se esta fineza o Amor sente E pagar-me meu mal com mal pretende, Torna-me com prazer como ao sol neve.
Mas se me vê co'os males tão contente, Faz-se avaro da pena, porque entende Que quanto mais me paga, mais me deve.