Portuguese poem
Pede o desejo, Dama, que vos veja
Pede o desejo, Dama, que vos veja: Não entende o que pede; está enganado. He este amor tão fino e tão delgado, Que quem o tẽe, não sabe o que deseja.
Não ha cousa, a qüal natural seja, Que não queira perpétuo o seu estado. Não quer logo o desejo o desejado, Só porque nunca falte onde sobeja.
Mas este puro affecto em mim se dana: Que, como a grave pedra tẽe por arte O centro desejar da natureza;
Assi meu pensamento por a parte, Que vai tomar de mi, terreste e humana, Foi, Senhora, pedir esta baixeza.