Portuguese poem
Suspiros inflammados que cantais
Suspiros inflammados que cantais A tristeza com que eu vivi tão ledo, Eu morro e não vos levo, porque hei medo Que ao passar do Letheio vos percais.
Escriptos para sempre ja ficais Onde vos mostrarão todos co'o dedo, Como exemplo de males; e eu concedo Que para aviso de outros estejais.
Em quem, pois, virdes largas esperanças De Amor e da Fortuna, (cujos danos Alguns terão por bem-aventuranças)
Dizei-lhe, que os servistes muitos anos, E que em Fortuna tudo são mudanças, E que em Amor não ha senão enganos.