Portuguese poem
As ondinas
Beijam as ondas a deserta praia; Cahe do luar a luz serena e pura; Cavalleiro na arêa reclinado Sonha em hora de amor e de ventura.
As ondinas, em nivea gase envoltas, Deixam do vasto mar o seio enorme: Timidas vão, acercam-se do moço, Olham-se e entre si murmuram: «Dorme!»
Uma — mulher emfim — curiosa palpa De seu penacho a pluma fluctuante; Outra procura decifrar o motte Que traz escripto o escudo rutilante.
Esta, risonha, olhos de vivo fogo, Tira-lhe a espada limpida e lustrosa, E apoiando-se nella, a contemplal-a Perde-se toda em extasi amorosa.
Fita-lhe aquella namorados olhos, E após girar-lhe em torno embriagada, Diz: «Que formoso estás, ó flor da guerra, Quanto te eu dera por te ser amada!»
Uma, tomando a mão ao cavalleiro, Um beijo imprime-lhe: outra, duvidosa, Audaz por fim, a boca adormecida Casa n'um beijo á boca desejosa.
Faz-se de sonso o joven; caladinho Finge do somno o placido desmaio, E deixa-se beijar pelas ondinas Da branca lua ao doce e brando raio.