Portuguese poem
As Ventoinhas
A mulher é um catavento, Vae ao vento, Vae ao vento que soprar; Como vae tambem ao vento Turbulento, Turbulento e incerto o mar.
Sopra o sul: a ventoinha Volta azinha, Volta azinha para o sul; Vem taful: a cabecinha Volta azinha, Volta azinha ao meu taful.
Quem lhe pozer confiança, De esperança, De esperança mal está; Nem desta sorte a esperança Confiança, Confiança nos dará.
Valêra o mesmo na arêa Rija amêa, Rija amêa construir; Chega o mar e vae a amêa Com a arêa, Com a arêa confundir.
Ouço dizer de umas fadas Que abraçadas,
Que abraçadas como irmãs, Caçam almas descuidadas... Ah que fadas! Ah que fadas tão villans!
Pois, como essas das balladas, Umas fadas, Umas fadas d'entre nós, Caçam, como nas balladas; E são fadas, E são fadas de alma e voz.
É que — como o catavento, Vão ao vento, Vão ao vento que lhes der; Cedem tres cousas ao vento: Catavento, Catavento, agua e mulher.