Portuguese poem
As rosas
Rosas que desabrochaes, Como os primeiros amores, Aos suaves resplendores Matinaes;
Em vão ostentaes, em vão, A vossa graça suprema; De pouco vale; é o diadema Da illusão.
Em vão encheis de aroma o ar da tarde; Em vão abris o seio humido e fresco Do sol nascente aos beijos amorosos; Em vão ornaes a fronte á meiga virgem; Em vão, como penhor de puro affecto, Como um élo das almas, Passaes do seio amante ao seio amante; Lá bate a hora infausta Em que é força morrer; as folhas lindas Perdem o viço da manhã primeira, As graças e o perfume. Rosas que sois então? — Restos perdidos, Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha Brisa do inverno ou mão indifferente.
Tal é o vosso destino, Ó filhas da natureza; Em que vos peze á belleza, Pereceis; Mas, não... Se a mão de um poeta Vos cultiva agora, ó rosas, Mais vivas, mais jubilosas, Floresceis.